O que é a comunicação não violenta (CNV) e como aplicar

Atualizado há mais de 1 semana

Um bom profissional é formado por uma série de requisitos. Além da aptidão necessária para atuação em campos específicos, o mercado de trabalho tem exigido que os profissionais desenvolvam habilidades imprescindíveis para um bom desempenho e aumento da produtividade. Uma dessas habilidades é a capacidade de interação, em que a comunicação não violenta representa um importante papel. 

Por vezes, vemos rixas entre funcionários, desentendimentos entre chefes e colaboradores e até mesmo rivalidades entre times. Grande parte desses problemas poderiam ser evitados, com uma comunicação mais clara, amigável, e com foco na solução de problemas em conjunto. 

Para alcançar esses objetivos, a comunicação não violenta pode ser usada como um pilar nas empresas. Mas como fazer isso na prática? É isso que o nosso post de hoje te conta!

O que é comunicação não violenta?

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é o conjunto de habilidades de comunicação verbal (escrita ou falada) e não verbal (gestos, expressões faciais ou corporais, imagens ou códigos) que busca incentivar a empatia para fortalecer as conexões humanas. Ela apoia que os indivíduos se entreguem de coração, permitindo a conexão com si mesmos e com os outros. 

Por meio da CNV, é possível entender melhor nosso comportamento do dia a dia, e identificar, por exemplo, um sentimento e necessidade que não foram atendidos em uma determinada situação.

Além disso, reinventa a forma de falar e ouvir o outro. Em vez de responder inconscientemente, a ideia é ouvir com atenção e pensarmos por meio do preceito da empatia o que o outro quis dizer. Assim, nos expressamos melhor e entendemos melhor o outro.

O responsável pelo desenvolvimento da teoria da Comunicação Não Violenta foi o psicólogo e autor norte-americano Marshall Rosenberg, que se inspirou nas ações de grandes líderes como Martin Luther King Jr e Gandhi. 

Importância da comunicação não violenta

A habilidade de se comunicar e ser capaz de entender o outro com clareza é essencial em qualquer âmbito da vida. Nas relações interpessoais, pode ser capaz de transformar famílias, relacionamentos e casamentos, tornando o convívio muito mais pacífico e acolhedor. 

A prática tem sido muito usada nos ambientes corporativos, onde desentendimentos e falhas na comunicação acontecem com frequência. Ao incentivar o uso da CVV, a relação entre os colaboradores fica muito mais fácil, permitindo que o trabalho em equipe seja feito com mais produtividade e colaboração. 

Além disso, o profissional consegue se comunicar melhor em relação às suas expectativas com a empresa, oferecer feedbacks sinceros e se sente muito mais acolhido e confortável para conversar sobre temas relevantes. 

Para figuras de gestão, a comunicação não violenta é essencial, permitindo estabelecer uma relação de confiança com os colaboradores e ajudando a comunicar as necessidades e demandas com clareza e respeito. 

Como aplicar a Comunicação Não Violenta?

Para que a Comunicação Não-Violenta aconteça, Rosenberg afirma que é preciso ter em mente quatro componentes, que devem ser expressados de forma clara:

1. Observação

Primeiramente, é preciso observar o que realmente está acontecendo na situação em questão. Essa é a hora de entender se a mensagem que está sendo recebida pode contribuir para a situação de forma positiva. Para isso, é necessário observar sem julgar. Antes de desenvolver qualquer tipo de suposição, tente analisar o que o outro está comunicando, e avalie sem criar um juízo de valor

2. Sentimento

Nessa etapa, é preciso entender qual sentimento a situação provoca, depois da observação. Nesse momento, é ideal nomear o que está sentindo, por exemplo, mágoa, tristeza, medo, alegria, raiva. É importante não ter medo de se sentir vulnerável e expor seus sentimentos, pois é assim que o outro pode entender o que você está sentindo.

3. Necessidades

Agora que o sentimento já foi compreendido, é necessário reconhecer quais necessidades estão atreladas a ele. Quando alguém expressa seus sentimentos e explica  suas necessidades, o outro consegue entender melhor o que a pessoa está passando, e pode atender melhor às necessidades.

4. Pedido

Os passos anteriores contribuem para que os envolvidos entendam os motivos e sentimentos por trás da situação. Assim, é hora de fazer um pedido, claro e respeitoso, sobre o que se pode fazer para solucionar um problema.

O que não fazer ao aplicar a comunicação não violenta

Algumas práticas, por vezes até mesmo inconscientemente, devem ser evitadas para promover um ambiente adequado para o desenvolvimento da comunicação não violenta. Confira:

  1. Comparações

Comparar-se com o outro é uma prática comum do ser humano, e, muitas vezes, até mesmo inconsciente. Porém, é preciso evitar ao máximo comparações entre membros da equipe. Algumas pessoas, ao serem cobradas pelo chefe, por exemplo, usam o argumento de que “fulano não faz nem metade do que eu faço”. 

Além de promover uma rivalidade desnecessária entre membros de uma mesma empresa, a comparação pode acabar desviando o foco do problema, e consequentemente da solução que pode ser atingida. 

  1. Julgamentos

Antes de comunicar-se com o outro, é preciso abandonar os julgamentos. Por isso, os passos da CNV são tão importantes: observando a situação, é possível compreender melhor o que o outro está passando. Isso evita vários desconfortos. 

Suponha, por exemplo, que você é um gestor e seu funcionário informa que precisa faltar. Em vez de falar “mas você vai faltar de novo?”, pergunte o que está acontecendo. Muitas vezes, pode ser um problema familiar ou de saúde. Isso evita situações desagradáveis e promove uma relação de confiança. 

  1. Negação ou transferência de responsabilidade

Um dos preceitos mais importantes que formam um bom profissional é a capacidade de assumir e cumprir suas responsabilidades. Por isso, evite tentar transferir ou negar tarefas e processos que cabem a você, principalmente ao ser cobrado. Essa prática desvia a atenção do problema, e mostra que sua preocupação não é com a solução da questão, mas sim em se ausentar de assuntos que são da sua responsabilidade. 

Exemplos na prática

No cotidiano, é comum que as pessoas se estressem ou que tenham pequenos sentimentos. Afinal, todos têm metas e responsabilidades para cumprir, o que pode gerar certa pressão. Porém, é imprescindível se lembrar dos pilares da comunicação não violenta, que podem facilitar, e muito, esses problemas. 

É comum que, no calor do momento, as pessoas se posicionem de forma agressiva. Considere o seguinte cenário: seu colega sempre pede que você faça um relatório em cima da hora, para apresentações importantes e com figuras de gestão na sua empresa. Assim, você acaba tendo que fazer tudo às pressas. 

Um dia, este colega te pede novamente para fazer um relatório apenas uma hora antes da apresentação. Neste momento, você solta: “Como sempre, você me pede para fazer um relatório em cima da hora”. Essa situação pode acabar gerando uma desavença que poderia ser resolvida de outra forma. 

Em vez de adotar um tom sarcástico, sente-se com seu colega e explique calmamente: “Sei que este relatório é muito importante para nosso time, mas, recentemente, você tem pedido para elaborar essa apresentação com um prazo bem curto. Assim, não tenho muito tempo para trabalhar no relatório. Nas próximas vezes, podemos combinar um prazo de X horas”. 

Com certeza, seu colega vai entender a situação e perceber que seus pedidos estavam sendo feitos de maneira prejudicial ao bom desempenho do seu trabalho, e pode tomar providências para que isso não se repita. 

Agora que você já entendeu o que é a comunicação não violenta, é hora de usá-la no seu cotidiano e contribuir para um trabalho mais positivo. Se você quer conferir mais dicas sobre como promover um ambiente de trabalho produtivo, continue com a gente por aqui

Jornalista, escritora e pós-graduanda em Comunicação Digital e Mídias Sociais.
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